terça-feira, 2 de junho de 2015

Big Fish, o Amor, a tristeza triste e a volta da alegria em 4 Atos


1º. Ato
”Elis me disse que não é a voz que canta. Quem canta é o coração”.
Foi no “Tributo a Elis” - #elis70 - que Renato Teixeira  compartilhou com a plateia encantada o que aprendeu com Elis. O show foi lindo, repleto de histórias emocionantes, a tecnologia a favor da memória. No palco, grandes nomes da música brasileira e suas histórias incríveis. Na tela, Elis, a voz, carisma e magia. Apresentações inéditas, duetos inesquecíveis, ontem e hoje, passado e presente ao mesmo tempo no palco. Aliás, o tempo passou a ser um mero detalhe sem importância. E o coração lá, cantando feliz!
2º. Ato
Zapeando na televisão. Um telecine qualquer. Algo chama a minha atenção. Paro. Na cena, um palestrante fala para algumas pessoas. O assunto é superar a perda de um ente querido. Na cadeira, um homem  grande e forte chora ao falar da perda do filho. Diz que não consegue seguir adiante. Que não sabe por onde começar. O palestrante pergunta: o que você é? Ele responde: um construtor. E o que um construtor faz? Constrói. Então, é isso que você vai fazer. Reconstruir. Tijolo por tijolo.
Do lado de cá, com o controle remoto na mão, me pergunto: o que você é? Escritora. E o que uma escritora faz? - lágrimas nos olhos. tão óbvio -  Uma escritora escreve, oras.
3º. Ato
Conversando com o Vini antes de dormir, pergunto para ele. Filho, o que te deixa triste? Ele pensa um pouco e cita algumas coisas. Presto atenção, faço notas mentais. Pergunto onde ele sente a tristeza. Ele aponta o coração. E o que te deixa feliz? Ele sorri. Enumera, uma a uma, as coisas que o deixam feliz. Presto muita atenção. Felicidade de filho é coisa séria. E o que você faz quando está triste? Ele me olha, como se a resposta fosse algo tão óbvio, que não entende como é que eu posso fazer esse tipo de pergunta. Quando eu estou triste, eu faço as coisas que me deixam feliz. E ai eu fico feliz. 
4º. Ato
Adoro tomar banho. Sempre tenho ideias no chuveiro. E em tempos de tristeza, é um dos melhores lugares para as lágrimas. Lava-se por dentro e por fora. Foi tomando banho que pensei em uma das minhas cenas de amor preferidas do cinema. Ao ser devidamente apresentada a esse filme, não poderia ser diferente, paixão imediata, ao filme e ao responsável pela apresentação. Ao me lembrar do filme, da cena, das histórias, da minha história, do amor e das flores amarelas. Pingo e lágrimas. Banho, água, chuva, pingo e lágrimas, tudo misturado. Saí do banho e ainda enrolada na toalha, fui até o computador e digitei no google: I don´t think I´ll ever dry out.   



domingo, 26 de abril de 2015

A arte tem esse poder, porque a vida não basta.



Estou arrebatada. Acabei de assistir ao Sal da Terra, o documentário sobre Sebastião Salgado. 
Há alguns anos, um amigo me apresentou ao mundo das fotografias. Lembro-me especialmente de uma foto de Henri Cartier Bresson: um beco, um homem e um gato. Foi divertido imaginar a história por trás da foto. Criamos várias narrativas para esse diálogo inusitado entre homem e gato. Discordávamos sobre o conteúdo da conversa, mas com um fato havia total concordância: a foto contava uma história.
Lembrei da foto de Cartier quando visitei a exposição das fotografias de Sebastião Salgado. No dia que visitei, me peguei pensando nas histórias por trás das imagens. Como escritora, sempre acabo colocando palavras no que vejo. A luz da foto, é a letra do escritor. 
Finalmente, conheci algumas histórias. As imagens ganharam palavras. Desde a primeira foto, na primeira história, meu coração já estava disparado. Lutei para conter as lágrimas.  Serra Pelada. Milhares de pessoas. Milhares de histórias.
Quanto sofrimento pode suportar os olhos e o coração de um homem? Não sei o que me impressionou mais. As palavras, as histórias, as imagens, a vida ou a morte. Milhares de pessoas, milhares de histórias, a imensidão. Gênesis ao contrário. A morte mostrando que há vida. A vida prevalecendo ao desejo da morte.
O sagrado e o profano lado a lado.  A vida. A morte. O silêncio. O escuro. A luz. Fim. Pisquei os olhos imaginando que pudesse fotografar o momento. Uma foto capaz de contar a história de um coração que batia desesperado ...

A arte tem esse poder, porque a vida não basta. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Todos Juntos Somos Fortes

Faço parte de uma geração privilegiada. Assistia a Monteiro Lobato no Sitio do Pica-pau Amarelo ao chegar da escola. Lembro-me de um álbum, vinil, versão do Mauricio de Souza para Romeu e Julieta, ou seja, Shakespeare com os personagens queridos da infância.  Não posso deixar de mencionar A Arca de Noé. Vinicius, Toquinho, João Gilberto e, lógico, Chico Buarque.

Sei que só tive acesso a tudo isso, porque tenho uma família especial, pais que sempre incentivaram a leitura e a cultura. E o que tudo isso tem a ver com o momento familiar que estou vivendo? Com a recuperação do meu pai? E com o poder que a família tem?

Tudo.

Quando éramos pequenos, eu, meus irmãos e meus pais, gravamos uma versão familiar dos Saltimbancos, do Chico Buarque. Para cada membro da família, coube um personagem. Meu pai era o Jumento, minha irmã, a Gata. Eu, a Galinha. Meu irmão, com apenas dois ou três anos, auxiliado por minha mãe, era o cachorro. E cabia a ele dizer: au au au au au. A gravação foi feita em uma fita cassete, infelizmente, perdida. 

Hoje percebo que foi lá, naquelas noites musicais, que aprendi que Todos Juntos Somos Fortes! Ontem, ao chegar a Campo Grande com minha irmã, com a intenção de dar uma força e ficar mais perto da família, entendi a música. Entendi a lição iniciada há tantos anos. Desde que tudo isso começou, cada membro da família vem desempenhando um papel, papéis diferentes e complementares. Cada um com sua personalidade. Cada um com sua função, trazendo para recuperação do meu pai mais força.

Como diz na música:

“Todos juntos somos fortes
Somos flecha e somos arco
Todos nós no mesmo barco
Não há nada pra temer
- Ao meu lado há um amigo
Que é preciso proteger
Todos juntos somos fortes
Não há nada pra temer”

E assim, vamos para mais uma fase da recuperação. E assim, ficaremos para sempre, pois Todos Juntos Somos Fortes!

À família querida, mãe, irmãos, cunhados, tias, tios, primos, filho, sobrinhos, enfim, todos que têm participado tão ativamente dessa recuperação. Aos amigos de sempre, de dor e delícias. Aos amigos que há muito não tínhamos notícias, que ligaram, escreveram, oraram. Mostrando que amizade de verdade, independe de convivência. Amigos de todas as religiões, de todas as crenças, e até, sem crenças, torcendo, vibrando, desejando o bem. Uma prova de que são várias pontes, que levam a um só lugar. A um só Deus. A uma só força. A todas essas pessoas, meu mais profundo e verdadeiro obrigado!

A música termina assim:

E no mundo dizem que são tantos
Saltimbancos como somos nós.



Saltimbancos queridos, muito obrigada!



domingo, 11 de janeiro de 2015

MEUS HOMENS CHORAM


Há 11 anos, no dia de Reis, 06 de janeiro, nasceu a mãe que sou. Nunca soube explicar e talvez seja algo inexplicável mesmo. Assim que coloquei meus olhos no meu filho, um amor que eu não sabia que existia dentro de mim, surgiu. Bastou um segundo, para o maior amor do mundo fazer morada na mãe que eu acabava de me tornar.  Mãe e filho nasceram no mesmo instante, 11 anos depois, parece que apenas pisquei os olhos. Mas, não é disso que a vida é feita? Piscadelas.  “A vida das gentes neste mundo, senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscados. Cada pisco é um dia. Pisca e mama, pisca e brinca, pisca e estuda, pisca e ama, pisca e cria filhos...”
Em um dessas piscadelas, vi meu filho chorando, choro sentido, lágrimas escorrendo pelo rosto. Coração de mãe em pedaços. Sei que não dá para evitar todas as lágrimas, sei que os obstáculos da vida são grandes, existem pedras no caminho, existe decepção e insensatez. Mas, aquelas lágrimas, por incrível que possa parecer, mostraram que meu filho é um lindo ser humano. E que está crescendo, que é capaz de sentir e de manifestar seus sentimentos. Isso, é algo tão importante para crescer saudável, que preciso, mesmo de coração partido, celebrar aquelas lágrimas.
Um dia depois, saio correndo para socorrer meu pai, uma cirurgia simples, que acabou não sendo tão simples. Do aeroporto vou direto ao hospital. De onde escrevo nesse momento. Dor, muita dor, e lágrimas. De dor, de cansaço, de raiva ... Dor que não passa. E, na mesma semana  que vi meu filho chorando, vejo meu pai. De novo, impotente. Não sei o que fazer, e a resposta vem certeira: segura na mão dele e chora também. 
Não chorei, mas entendi que a resposta é muito mais simples. Que a lição que meu filho e meu pai me deram foi muito maior do que a dor. Quando estamos dispostos a aprender, o amor sempre será maior que a dor. É uma questão de escolha.

A pessoa da resposta certeira, nesse momento, chora também, porque meus homens choram, enquanto me ensinam.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

O menino e o presente de Natal!


Há alguns anos, eu trabalhava em uma agência de marketing direto na área de atendimento. Apesar de gostar do que eu fazia e adorar meus colegas/amigos de trabalho, eu tinha uma grande insatisfação dentro de mim. Minha alma sentia falta de fazer algo que pudesse ajudar o Mundo a ser um lugar melhor.
Como não sou uma pessoa rápida para tomar decisões, passei alguns meses infernizando meus colegas. Até que tudo fez sentido. Lembro-me do exato momento em que tomei a decisão de pedir demissão.  Eu não sabia o que eu queria fazer, mas eu tinha total convicção que eu não queria mais fazer aquilo.
Como eu estava desempregada, sem saber o que fazer, comecei a pesquisar, ler, conversar com as pessoas, e finalmente, achei algo que fez meu coração acelerar: marketing cultural. Graças a vários acasos lindos do destino, lá fui eu fazer a produção local do Natal do HSBC.  E por meio do marketing cultural, conheci o marketing social e me apaixonei.
Naquela época, há mais de 10 anos, não sei como é hoje, as crianças que cantavam nas janelas eram crianças de lares e projetos de Curitiba, algumas afastadas dos pais por medidas de segurança. Crianças carentes – não apenas de bens materiais, mas de atenção, carinho, oportunidades. Com a convivência de meses, por causa dos ensaios, passei a conhecê-las. Eram 140 crianças, conhecia a maioria pelo nome. Algumas, as mais falantes, conhecia além do nome, a história de vida. 
Após duas apresentações em que tudo correu bem, pude assistir, como expectadora, ao espetáculo. E ao olhar para a janela e reconhecer cada rostinho e suas respectivas histórias de vida, não me contive e comecei a chorar. Naquele momento, percebi que meu trabalho havia, direta ou indiretamente, impactado a vida daquelas crianças. Imagina o que receber atenção, educação musical, oportunidades, aplausos e carinho, fazia à autoestima daquelas crianças!
Foi aí que entendi que poderia tocar a vida das pessoas com o meu trabalho. Mas o senso de responsabilidade que tocar a vidas das pessoas tem, só percebi alguns dias depois, na última apresentação. O clima estava ótimo, o sentimento de dever cumprido, as despedidas carinhosas, recebi bilhetes e cartinhas das crianças; na maioria, crianças que eu conhecia mais, aquelas mais falantes. 
Até que um menino que eu nunca havia conversado, daqueles meninos quietinhos que parecem pedir desculpas por estar ali no mundo, sabe?  Este menino se aproximou de mim, e timidamente, me entregou um cartão. Em seguida, sumiu no meio das outras crianças.
Mantenho até hoje o cartão comigo, como um lembrete. Um amuleto, talvez. Algo que me faz refletir sobre a responsabilidade que temos no mundo. Mesmo sem perceber, podemos tocar a vida de alguém, mesmo sem intenção.  Percebi o poder que isso tem, e como todo poder, traz muita responsabilidade.

O singelo cartão, escrito a lápis, me comove até hoje.  Não tive a oportunidade de agradecê-lo. Querido Rogério, de onde você estiver, receba meu carinho e retribuição por um gesto tão lindo! Muito obrigada, você, mesmo sem saber, me ensinou muito. 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Vocês não contavam com a minha astúcia!


Além da tristeza de ver pessoas tão geniais partindo em 2014, fico com uma grande questão em aberto: será que pessoas tão geniais estão chegando também?
Quando Rubem Alves partiu, fiquei com uma tristeza engasgada, queria ter enviado para ele um exemplar da Fada de Botas, na apresentação do livro cito a seguinte frase: Como disse Rubem Alves, devemos ensinar as crianças a amar os livros. Queria ter compartilhado com ele um pouquinho da história da fada, e de como ela está espalhando amor aos livros por ai. Mas, por motivos tolos, acabei não enviando o livro a ele ... e ele partiu. Choro engasgado.
Quando vi Manoel de Barros partir  ... chorei solto e me senti  órfã e mais solitária no mundo. Eu não o conhecia, e mesmo assim, eu sabia que ele me entendia. Eu me entendia quando lia suas palavras.  Tive uma tristeza regional, pelo poeta da minha terra. E nesse caso há duas interpretações possíveis para esse regionalismo. Manuel vivia em Campo Grande, onde também estão minhas raízes. Mas, além e, sobretudo, ele vivia nas terras das palavras e dos sentimentos que compartilho. Orfã duas vezes. Quem agora poderá traduzir esse sentimento de carregar água com peneira que é o ato de escrever? Com quem vou compartilhar o gosto pelas coisas desimportantes? Dou graças a Deus, que poetas são eternos e que escrever é uma forma de ficar para sempre. Choro de rios de lágrimas desinúteis...
Ainda nem havia me recuperado desta perda, e Bolaños  resolve partir também. Não estou comparando em importância e arte essas pessoas que cito aqui, só estou compartilhando meus sentimentos.  Chaves tinha a inocência da criança. Chaves fazia rir. Chaves teve o poder de contagiar várias gerações com sua graça non sense. É a arte com o poder de romper fronteiras. Depois de assistir no cinema a biografia do genial Cantinflas, entendi melhor o humor do Bolaños. E me entristeci com sua partida. Lágrimas da criança que se escondia no armário, como se ali fosse um barril. Lágrimas de criança que ficou sem o doce.
Volto, então, para minha pergunta inicial: será que estão chegando a esse Mundo pessoas tão geniais quanto as que estão partindo?
O prêmio Nobel da Paz para Malala, a menina de 17 anos, me diz que sim. Após ler sobre sua história de vida, com apenas 17 e já capaz de mudar o destino de tanta gente, lágrimas de esperança escorrem pelo meu rosto.

Chego a ouvir Deus lá de cima parafraseando o Chapolin Colorado:

- Vocês não contavam com a minha astúcia!!!!





*obrigada Armandinho por traduzir tão lindamente essas desimportâncias.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Acabei de adquirir um GPS que ajuda qualquer pessoa a encontrar seu caminho. Alguém quer carona?


Estamos no fim de mais um ano, tempo de avaliações - O que eu fiz durante esse ano? Muita coisa, sem dúvida. Mas percebo que me desviei do meu caminho. A literatura, tão arduamente colocada na minha vida, acabou ficando negligenciada.
Já aprendi que não adianta chorar pelo tempo passado. Ao invés de lágrimas, preciso de um novo plano para me colocar de novo no caminho certo. E depois de assistir a uma palestra muito inspiradora do querido André Caldeira, chego a conclusão que preciso do GPS - Meu Propósito.
A palestra me trouxe uma série de insights, entre eles, a necessidade de auto avaliação. Onde estou? Estou onde quero estar? Quem sou nesse mundo? Percebi que não estou no lugar que eu gostaria de estar.
Quem já usou um GPS sabe que, ao errar o caminho, ele não fica lamentando sua inabilidade em seguir a rota. Mas, imediatamente, recalcula uma nova rota, mostrando que não há apenas um único e incontestável caminho para se chegar ao destino escolhido. (bela lição, não?)
Com GPS - Meu Propósito recalculado, mudo o rumo e me coloco de novo no caminho que quero estar.

Alguém quer carona?