sábado, 6 de novembro de 2010

Eu tive um irmão gêmeo.

Eu tive um irmão gêmeo, ele faz aniversário hoje. Não, não fazemos aniversário no mesmo dia. Na verdade, não nascemos gêmeos, nos tornamos depois. Mais precisamente na adolescência, por força de algumas meias verdades em relação a sua idade, ele sempre gostou de mulher mais velha. Algum tempo depois, quando resolvi que não queria ficar mais velha, acabei assumindo de novo que éramos gêmeos. Atualmente, ele é mais velho que eu. Não somos mais gêmeos. Sou a caçula agora. Mas o motivo para esse post é celebrar o aniversário do meu irmão. Passamos muitas coisas juntos, desde que ele me seguiu até Curitiba. Rimos, bebemos, comemos, fizemos faxina, brigamos, conversamos, não conversamos, crescemos, estudamos, mentimos, viajamos e amadurecemos juntos. Quando olho para minha vida aqui em Curitiba, vejo sempre meu irmão ao meu lado. Devo confessar que sinto sua falta por aqui. Tenho pensado em segui-lo até Campo Grande.

(Querido, tá ai seu post, como prometido, irmão gêmeo como você eu nunca mais vou encontrar. Desejo toda felicidade do mundo para você e que nunca deixe de escutar seu coração)

sábado, 16 de outubro de 2010

Desembestando

Tenho achado a vida meio besta. Tipo, besta, sabe?
Passa uma semana, passa outra, passa o mês, o ano, muitos anos, passa a vida. E  eu? Eu ... corro, trabalho, escola, mercado, durmo, acordo, trabalho, como, bebo, corro, trabalho, escola, lição, futebol, corre, viajo, carnaval, corro, páscoa, natal.
Besta, assim, sabe?

Mas ai hoje eu estava conversando com um primo no msn e ele me disse:
- Se tá besta, desembesta, uai. Simples assim. Só depende de você.
Eu ri, poderia ser fácil ...

Algumas horas depois percebi que é fácil sim.
Podemos colocar no meio do corre-corre pequenas coisas que gostamos, mudanças sutis, prazeres, enfim, flores no dia-a-dia. Percebi que basta afinar o olhar. Hoje eu vi um ninho de quero-quero cheio de ovinhos, vi dois bebês engatinhando eufóricos no meio do shopping. Vi um casal triste que mal se falava, vi uma família feliz. Vi árvores no bosque que há tempos eu não via. Tomei café da manhã lendo. Comi bolo de laranja. Fiquei bem parada sentada no banco debaixo das árvores. Sentindo.

A "vida pode ser cheia de som e fúria" ... e acontecimentos sem sentido, mas nem é tão besta assim.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O nome do dedo.


Estava coversando com o Vini, o papo de repente rumou para os nomes dos dedos.
Ele olhou para a própria mão, levantou o dedinho e disse bem satisfeito:
- Esse é o meu dedo mendigo.
 (era o mindinho!)

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Tipos e tipos ...

Sabe aquele tipo de pessoa que entra em uma academia como se estivesse em casa? O tipo de pessoa que olha para uma aparelho de musculação e sabe exatamente o que fazer com ele? Sabe o nome do músculo que será trabalhado na repetição das séries. Sabe onde colocar a perna, o braço, como corrigir o peso, qual a postura correta. O tipo de pessoa que o aparelho de musculação não é um mistério. Esse tipo de pessoa ainda é capaz de ligar a esteira, escolher o programa, correr desvairadamente como se estivesse em uma ladeira do Pelourinho e ainda sorrir. Sabe o tipo de gente que faz alongamento, abdominal, pilates, spinning, body seiláoquê?
Pois eu, definitivamente, não sou esse tipo.
Infelizmente.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Elementar, meu caro

Welcome drink
-Agua de coco ou espumante?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Lições



Eu e o Vini assistindo Wall -E.
- Porque deixaram ele na Terra se todo mundo foi embora?
- Acho que esqueceram ele, filho.
- Deve ser solitário ficar sozinho, mãe
- É, filho, deve mesmo.

Nos abraçamos no sofá.

domingo, 29 de agosto de 2010

Recortes

Na Bienal
Na fila esperando para entrar no Salão de Ideias. Logo atrás de nós, mãe e filha. A mãe falava com o marido no celular. A filha sorria sem parar olhando ao redor. Acho que tinha uns 14 anos. A mãe olhava para ela e dizia ao telefone: Você não vai acreditar! Ela até tirou fotos. Tirou foto com o livro gigante, com Monteiro Lobato... e continuou enumerando as fotos ... até que finalizou ... Acho que descobri o segredo para ela querer tirar fotos.
Olhei para menina, e sorri. Reconheci nela a adolescente que fui um dia.


No Museu da Língua Portuguesa
Domingo de manhã fomos ao Museu da Língua Portuguesa. Amo aquele lugar. Passeamos pelas palavras, aprendemos sobre a nossa língua, nos deliciamos com os neologismos do Guimarães Rosa. Até que chegou a hora de assistirmos ao filme de 10 minutos sobre as origens da língua portuguesa. Estavámos no auditório, na nossa frente um casal com a filha pequena. A menina estava sentada entre o pai e a mãe. O pai explicava para ela a próxima atração na Praça das Palavras. - Ali, filha, as palavras são projetadas no teto, nas paredes, são poesias ... A menina disse: - Ah! Pai, então foi por isso que você me trouxe aqui? Por causa das palavras. O pai olhou encantado para filha. Deu um beijinho na sua bochecha. - É, filha, porque agora você é uma menina das palavras!
Olhei para eles e sorri. Depois chorei.

Na Praça das Palavras
Aproveitei o escuro e chorei mais ainda no meio do céu estrelado de palavras.